Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

Afinal, o que é que ele quer?

Manuel Alegre continua a brincar ao gato e ao rato com o PS. Depois de um artigo no Expresso em que desafiava o PS a acordar, volta a lançar avisos num artigo da revista Ops: "Recusaremos a reedição do Bloco Central ou de qualquer outra forma de aliança à direita", escreve Alegre. E Joshua, no blog Palavro-sau-rus Rex, está com o poeta: “Se há um PS digno, esse é ainda minoritário dentro da estrutura fraca e aclamatória montada. Com a Esquerda na boca e a Direita nas mãos. O PS residual que pensa o País para além do próprio estômago dos seus deve porventura existir. Muito dificilmente, porém, se dá por ele”.

Pelos vistos, dá-se mesmo por ele, como escreve António de Almeida no Direito de Opinião: “Manuel Alegre deixa implícita uma crítica ao papel de António Vitorino no PS, este por sua vez não se mostrou rogado e afirmou (...) na RTP o que venho afirmando, o histórico militante está mais interessado em promover a sua imagem de homem de esquerda, em torno duma união mais vasta que o próprio partido, com vista à candidatura presidencial”. Nuno Dias da Silva alinha pelo mesmo olhar: “Manuel Alegre apelou à eterna compagnon de route, Helena Roseta, para integrar a candidatura do PS à Câmara de Lisboa. Se o poeta Alegre falou, está falado. Serão cerca de 5 ou 6 por cento de votos que poderão ir direitinhos para a candidatura de Costa, dificultando a vida a Santana Lopes. Alegre, o agregador, já está em campanha para Belém, em 2011. Com ou sem Cavaco”.

No 31 da Armada, Nuno Gouveia usa a frase clássica "Agarrem-me que eu fujo", para definir o “mote de Manuel Alegre nesta brincadeira de crianças”: “Discorda mas vota a favor; queria dar uma lição ao PS, mas fica no partido; critica Sócrates e Vitorino, mas vota neles. Até se compreende que alguma direita olhe para o poeta com simpatia, visto que tem sido um embaraço evidente para este Partido Socialista. Mas se analisarmos o seu discurso, pouco ou nada se retira dali”. Critico também, o blog Atributos: “Manuel Alegre não larga os fundilhos do ainda nosso Primeiro, que não tem descanso, fora do partido onde é contestado por todos, e dentro do partido onde já é contestado por muitos. Os mais mediáticos são Costa e Alegre, para já. O homem dos versos não aceita ser candidato ao Parlamento, não aceita trabalhar para o programa do governo, não se cala, (...) e aguarda que o chefe do partido (...) o apoie incondicionalmente quando chegar a altura de ele (Alegre) se perfilar como candidato à Presidência da República”.

É interessante verificar que no mundo dos blogues abunda esta ideia feita de que Manuel Alegre não faz nada por acaso, tem sempre uma intenção escondida, uma carta na manga. No fundo, uma ideia que é recorrente sobre o universo da política mas que personalidades como Manuel Alegre pretendem desmentir. Pelos vistos, é pior a emenda do que o soneto: nem a classe política, em geral, se livra deste olhar desconfiado, nem os candidatos a provedores da política escapam à pergunta habitual: afinal, o que é que ele quer?

publicado por PRD às 00:14
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PRD

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