Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

No meio da crise...

Estamos a chegar à silly season, mas cheira-me que esta ano vai ser curta: entre a gripe e a pré-época eleitoral, passando pelo futebol aqui e em Espanha, haverá mais season e menos silly. A pairar sobre tudo anda a crise, e hoje aproveito para a olhar como se observasse um daqueles caleidoscópios que multiplicam o prisma de visão. Começo por encontrar Nuno ramos de Almeida no blog 5 Dias: “Deus morreu há muito tempo, o planeta parece ir pelo mesmo caminho e eu estou entediado. Como grita, com graça, uma parede perto de mim: “umas sentem a excitação do tédio, outras não”. O meu problema é que já só sinto o tédio do tédio”. Nuno, que ficou conhecido pela sua ligação o Bloco de Esquerda, sente falta de causas, de paixões, de algo a que se agarrar: “As coisas deixaram de ser mágicas. Tinha perdido a capacidade de me encantar e de me enganar, (...) preciso de uma mentira para poder aguentar. Uma causa qualquer: a defesa das baleias parece-me simpático, embora seja difícil de conviver com os cetáceos. A alimentação saudável - demasiado insípido! Preciso de qualquer coisa que seja a doer. Sentir as pancadas que nos levam a convencer que ainda estamos vivos”.

Por este lado, estamos no domínio do desânimo – mas mesmo na crise há quem consiga ver luz ao fundo do túnel. Tavares Moreira, no blog Quarta Republica: “No meio de todas estas dúvidas, fica-nos a expectativa de que pode ser desta vez que a economia portuguesa vá finalmente apontar o caminho da recuperação aos nossos parceiros, em especial aos da União Europeia...será mesmo desta? Alguma vez teria de ser...esperemos que a mensagem da semana passada, de anúncio do fim próximo da crise, não seja mais uma para esquecer...no envelope das promessas eleitorais ou pré-eleitorais!”

É possível ser optimista e acreditar, embora o tempo seja mais de altos e baixos. No blog Sofia in London, de uma portuguesa a viver em Londres, leio o relato curto, porém fortíssimo, de um momento dramático: “No primeiro dia de trabalho depois das férias levei logo com uma reunião geral aqui na empresa com mas notícias. Algumas pessoas tinham de ser despedidas.

As pessoas que estavam sujeitas a ser despedidas receberam um envelope com uma carta a explicar todo o processo. Eu recebi uma carta dessas mas não quis vir aqui falar disso antes de saber se ficava ou não.

No dia seguinte aconteceram reuniões individuais para esclarecimento de dúvidas e possíveis sugestões para a nova estrutura da empresa com o advogado e a nossa supervisora.

Seguiram-se 3 dias de incerteza em que não se falava noutra coisa.

Ontem de manha decorreram as reuniões finais em que nos foi comunicado se ficávamos ou não. Cinco pessoas da minha equipa foram despedidas, mais de metade. A minha melhor amiga foi a primeira a ter a reunião e foi despedida. Saiu da sala a chorar. Eu quis ir logo de seguida e quando me disseram que ficava saiu-me um grande peso de cima mas não foi fácil ver tanta gente a ser despedida”.

Repare-se como em três andamentos consegui saltar do melhor para o pior, da reflexão para os factos, e tudo em cima do mesmo ambiente de crise. É aquele em que vivemos, e que afinal também o mundo dos blogues reflecte, umas vezes de forma mais impressionista, outra de forma analítica. Um espelho da vida e do mundo, como vou vendo todos os dias.

publicado por PRD às 00:10
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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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