Domingo, 7 de Outubro de 2007

Julgamentos populares

Se há coisinha que a blogoesfera faz com imenso jeito é julgar. Julgamentos, condenações, absolvições, basta dar uma voltinha pelos Blogs e logo se percebe para que lado pende o mundo. Não é excepção o caso da raptora de um bebé no Hospital de Penafiel, bem resumido por Carlos Abreu Amorim no “Blasfémias” a partir do relato do “Correio da Manhã”. A saber:
“Alice Ferreira saiu do Hospital de Penafiel com uma bebé que não era sua, passando por seguranças que nada lhe perguntaram. Alice não confessou o mal que tinha feito: se uma familiar não a tivesse denunciado, provavelmente aquela criança nunca conheceria a sua verdadeira mãe.Entretanto, a Inspecção-Geral da Saúde assegurou que o Hospital não teve qualquer culpa no sucedido e acusou a mãe de negligência – como sempre, o Estado defende o Estado e culpa as pessoas.No julgamento que agora decorre, o procurador disse que “os motivos que levaram ao crime são compreensíveis”. E não pede prisão para a raptora. Alice diz que procurava um milagre quando cometeu o crime. Afinal, encontrou-o: a Justiça portuguesa, que gasta milhões à procura de uma criança inglesa, aqui conclui que “foi um drama para toda a gente”. Pois foi. Sobretudo para o País com uma Justiça destas.”Eduardo, no blog “Bitaitadas”, estranha a indemnização em causa:”A criança foi bem tratada durante o período de rapto, a família assim que recuperou a bebé ganhou uma casa nova, roupa, comida, apoios financeiros, reconhecimento, solidariedade e acima de tudo... respeito. Agora, indignados com a sentença proferida pela Sra. Juíza, a família lesada reclama uma quantia na ordem dos 30 mil euros... Bem... cá pra mim deve ter sido o raio do empreiteiro que pediu mais uns trocos para acabar a marquise”.O julgamento continua, como bem se vê no blog “360 Graus” com a pergunta que se segue:
“Este tipo de sentença está bem longe do meu conceito de justiça! Será que se fosse uma menina inglesa desaparecida de um resort de luxo, teria o mesmo desfecho?”
Outras perguntas, bem mais pertinentes, deixa Pandora no blog “O Lado B da Vida”:
“Haverá dinheiro que pague impedirem um pai e uma mãe de assistirem aos primeiros sorrisos e gestos de um filho? Como reagiria o Juiz que decretou a sentença ou mesmo qualquer um de nós, a quem raptassem um filho? Não será altura de termos uma Justiça que seja mais justa e com penas mais severas?”
Emoções à flor da pele, desconfiança na justiça. Fecho com o comentário de Pacheco Pereira no blog “Abrupto”.
“Se a senhora que raptou uma "menina" num hospital e que foi descoberta um ano depois, tivesse mais dois ou três anos de convívio com a criança, passaria a ser "mãe do coração"? E que diriam os pedopsiquiatras, esta nova categoria jurídico-mediática?”
Volto ao começo: na blogoesfera julga-se demais. Mas por outro lado sente-se – e não é demais sentir – como pulsa o coração de quem olha para Portugal e nem sempre gosta do que vê.
publicado por PRD às 00:17
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1 comentário:
De eduardo a 10 de Outubro de 2007 às 14:22
Ola PRD, Boa Tarde

O meu nome é Eduardo e sou o responsável pelo blog "http://bitaitadas.blogspot.com" .

Foi com grande surpresa que vi a sua referência ao meu texto sobre a bebé de Penafiel.
Quero desde já dizer que o intuito quando escrevi aquelas linhas, foi o de mostrar alguma "graça"... uma visão antagónica ao pensamento geral dos portugueses. Aquilo que eu verdadeiramente acho do ponto de vista jurídico não foi publicado e continuo a guardar para mim.

Quanto à crítica do "julgamento público" que cada português faz, é uma questão que os comentadores da nossa praça querem fazer crer que mais não é que uma "bimbalhada".
Ou seja, neste momento o português que ouse opinar sobre o caso Maddie, o Apito Dourado ou a bébé de Penafiel mais não está a fazer que a cair numa redonda estupidez... Isto é o que os comentadores e humorístas querem passar. Se assim o é porque é que o jornalismo sensacionalista continua a fazer o mesmo??? e de uma forma exagerada???

Caro Pedro, eu acho que cada um de nós tem o livre arbítrio de dizer o que pensa, o que acha certo, e até o que não pensa e até o que é uma verdadeira barbaridade. Democracia.

Eu continuarei a fazer o mesmo... tentando amenizar as palavras com a tentativa de fazer uma graça.

Uma vez mais agradeço a sua visita ao meu blog. E espero que se torne uma visita frequente.

Cumprimentos.

Eduardo
http://bitaitadas.blogspot.com


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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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