Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

A loura do regime

Foi primeira página do jornal i no sábado passado: Pacheco Pereira é a loira do regime.

A citação era atribuída a Luis Filipe Menezes, numa entrevista ao jornal, que lá dentro explicava o sentido da frase explosiva:”Não é nada de depreciativo. Quando nos lembramos do "La Dolce Vita", de Fellini, nenhum de nós se lembra do Marcello Mastroianni, mas lembramo-nos da bela sueca a tomar banho na Fontana di Trevi. Cada filme, cada país, cada circunstância, cada momento histórico, tem a sua loira do regime. No nosso momento histórico, o meu companheiro Pacheco Pereira é a loira do regime. Ele só quer centrar todas as atenções nele, independentemente daquilo que esteja em causa. É evidente que a loira do regime é sempre má actriz. Quando se lhe dá um papel importante dá sempre para o torto - mas esteticamente é fantástica”.

João Gonçalves chega-se à frente e pergunta: “E se eu me apetecesse dizer que o dr. Menezes, de Gaia, era a Belladonna do regime? «Não é nada de depreciativo».

No corta-fitas, Nuno Saraiva também se interroga, mas a pergunta é outra: “Como é que alguém consegue ver Pacheco Pereira na cena do magnifico 'La Dolce Vita, de Federico Fellini, em que "a bela sueca" toma banho na Fontana di Trevi? Só mesmo o inefável dr. Menezes”.

A frase, com ou sem contexto, é forte. Paulo Pinto de Mascarenhas repara que “José Pacheco Pereira ficou ofendido” e reconhece que “Está no seu pleno direito”. Como editor do jornal, diz-se “obviamente solidário com a escolha editorial, porque retrata de modo singular uma guerra que vem de longe entre Menezes e Pacheco. Qualquer jornal britânico de referência não deixaria de escolher aquela frase”, escreve Paulo que remata: “Pacheco Pereira ataca muitas vezes a ERC e o seu carácter "censório", mas lá no fundo, bem lá no fundo, o que ele gostaria era de ser a ERC do regime”.  

O próprio, só no seu blog, Abrupto, se defende. E começando por dizer que se paga “UM PREÇO POR CRITICAR OS JORNAIS”, escreve: “Não me pronuncio, como é óbvio, sobre a "entrevista" de Menezes que está ao seu nível e que não me surpreende. Mas surpreende-me que um jornal que se pretende sério escolha uma frase insultuosa para título, e isso é de sua responsabilidade. Sucede que, na quarta-feira passada, o i tinha-me pedido uma entrevista de fundo. Por consideração com a Maria João Avilez que ma pediu, dei a entrevista (…). Mas enganei-me quanto à seriedade do jornal a que dei a entrevista, pelo que, a não haver um pedido de desculpas pela afronta, não autorizo a sua publicação”.

Talvez Tomás Vasques tivesse razão quando, há algum tempo, escreveu no seu blog Hoje Há Conquilhas que Pacheco Pereira “é um comunista (na análise, na metodologia e na luta política) estilo vintage. Escolheu o PSD para travar os seus combates. Outros escolheram o PCP, e outros optaram pelo Bloco de Esquerda. Mas, em democracia, cada um escolhe o partido que lhe dá na gana”. E já agora, digo eu, escolhe também a cor de cabelo que quer. Uma coisa é certa: matar o mensageiro porque traz e comunica a mensagem é um dos mais antigos equívocos do ser humano...

publicado por PRD às 00:12
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