Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

Eleições (I)

Comecemos, hoje, por uma análise imediata às eleições de ontem, e deixemos para amanhã ideias em segunda linha... Primeira análise: os blogues, desta vez, preferiram analisar mais e reportar menos. Se nas ultimas autárquicas pareciam todos jornalistas em directo, agora – em geral, claro – foram mais analíticos, ponderados, como se percebessem com rigor que papel lhes pode estar reservado. E por isso cá vão opiniões e ideias bem pensadas, começo com Medeiros Ferreira no Bicho Carpinteiro: “O PSD mal passou à frente do PS, com todo o mérito para Paulo Rangel (...) e já está a propor a paralisação das obras públicas no país. Mau sinal”. Assim é, na verdade, numas eleições “mais nacionais que europeias”, como escreveu Tiago Moreira Ramalho no corta-fitas: “nasceu uma nova estrela na política: Paulo Rangel. Surgiu sem ser dos meandros partidários, dos favores e lambe-botismos, e conseguiu afirmar-se como um excelente político, um político à moda antiga. Esta vitória foi também, e não vale a pena tentar escapar a esse facto, uma vitória de Manuela Ferreira Leite”. Carlos Barbosa de Oliveira, no Delito de Opinião, discorda: “Não foi Manuela Ferreira Leite que ganhou as eleições, mas sim Paulo Rangel. Ferreira Leite  andou escondida na primeira fase da campanha e só apareceu quando percebeu que o seu candidato poderia fazer uma gracinha. Ainda chegou a tempo de capitalizar a vitória, pela qual pouco lutou”. Pedro Santana Lopes reparte os louros, no blog com o seu nome: “Manuela Ferreira Leite e Paulo Rangel são quem mais é merecedor de parabéns. Principalmente, a Presidente do PSD, que fez questão de se manter fiel ao rumo que traçou para estas eleições, não se impressionando com o ruído contra si e sendo coerente, também, na linha estratégica”.

O debate continuará nos próximos dias, seguramente, mas há já alguns sinais sobre os quais vale a pena reflectir e que são, de alguma forma, o futuro imediato. Sinal primeiro, sublinhado por Nuno Dias da Silva: “A tese da (in)governabilidade e do «nós ou o caos» vai ser brandida pelo PS nos quatro meses que faltam até aos proximos actos eleitorais. Nas autárquicas, e especialmente nas legislativas, será diferente. Na hora da verdade, confrontados com a escolha entre Sócrates e Ferreira Leite tenho dúvidas se a maior parte dos portugueses não se vai inclinar pelo «chefe» socialista. De qualquer forma, esta semana dos feriados promete ser de ressaca no Largo do Rato. O súbito desmanchar de feira e esvaziar da sala do Hotel Altis, testemunhado pelas câmaras de TV, foi algo de verdadeiramente arrepiante”.

Sinal numero dois, aquele que Carlos Loureiro traz no Blasfémias: “A abstenção aumentou, mas votaram mais 160.000 pessoas do que em 2004. O PS perdeu mais de 600.000 votos. A CDU ganha 70.000 novos eleitores. O BE aumenta o seu score em mais de 200.000 votos (mais do que duplicando a votação)”.

Provando que, afinal, quando passada a espuma da eleição, há mais para pensar com base nos mesmos dados. Pensemos então, considerando já agora a perplexidade bem-disposta de Rodrigo Moita de Deus no 31 da Armada, que ficou estupefacto com “5000 almas que votaram no POUS. 16000 que votaram no Partido Humanista e 21000 que votaram no MMS”. Eu estou com ele: estupefacto, também...

publicado por PRD às 01:46
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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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