Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

Voto obrigatório, dia de reflexão...

À beira das eleições europeias, e uma vez que todas as vezes que abri a Janela sobre o tema foi para concluir o mesmo – de Europa, ninguém fala, e todos criticam porque ninguém fala de Europa – dizia, já que o discurso dos blogues nestes dias foi sempre o mesmo, mais Rangel menos Rangel, mais Vital menos Vital decidi dedicar este ultimo olhar às eleições a temas laterais, fora do comum, mas sobre os quais se pode sempre reflectir num momento de campanha. Por exemplo, o voto obrigatório – tema que acabou por passar ao lado da campanha, embora tenha quase chegado a tema do dia por via de uma declaração de Carlos César.

João Miranda, no Blasfémias, não tem duvidas: “O voto obrigatório é uma clara violação da liberdade individual, ainda por cima, da liberdade individual daquele que em democracia é o soberano. É uma inversão completa da relação de soberania”. Pode ter razão, mas eu sou tentado a seguir Bernardo Pires de Lima no União de Facto. Ele coloca a questão da forma, penso eu, mais sensata: “Há gente irresponsável que opta por não votar. É coerente. Há gente com responsabilidade pública que não só não vota, como apela à abstenção. Estas pessoas, entre eles alguns opinadores, desprezam o voto. Têm-lhe uma raiva incontida, dão-lhe um significado diminuto. São, por outras palavras, uns ingratos (...). Poucos portugueses lutaram para que muitos pudessem votar um dia. O mínimo que estes milhões poderiam fazer era honrar essa conquista. Infelizmente não o fazem. Depois não se queixem”.

Dito isto, outro tema lateral que chegou ao mundo dos blogues nesta campanha: vale a pena ter um dia de reflexão? Um dia em que nada se pode dizer sobre a eleição do dia seguinte? Rodrigo Saraiva, no blog Piar, levantou a questão: “Este dia, escreve ele, não inibe apenas os candidatos de apelar ao voto mas também, por exemplo, os media de noticiarem sobre a campanha em questão. (...) Acredito que este assunto, a curto prazo, poderá estar na agenda. Sendo certo que haverá muitos “puristas” do sistema a defender a manutenção do dia. Será bom de ver os argumentos e posições de políticos, jornalistas e editores, politólogos, consultores, entre outros, relativamente a esta matéria”.

Nuno Gouveia, no cachimbo de Magritte, é o primeiro que leio com ideias claras sobre o tema: “A minha resposta é não. Nos dias de hoje será normal andar semanas e semanas a falar de partidos, projectos políticos ou candidatos e depois, um dia antes das eleições, tudo se apagar, e ninguém poder escrever ou falar sobre o assunto? (...) O dia de reflexão é inútil, e poderá mesmo servir até para desmobilizar algum eleitorado. Na era dos novos media, impor um silêncio até pode ser considerado quase anti-democrático. Este ano será interessante verificar como irão as pessoas comportarem-se nas redes sociais e nos blogues. (...) Era bom que os partidos políticos iniciassem um verdadeiro debate sobre a utilidade deste dia de reflexão. A democracia portuguesa ficava a ganhar”.

E pronto: mais duas achas para a fogueira do debate sobre as leis eleitorais. Amanhã acaba a campanha, domingo tudo se decide...

publicado por PRD às 01:44
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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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