Terça-feira, 2 de Junho de 2009

Guerra na advocacia

Os advogados andam em pé de guerra com o seu bastonário, Marinho Pinto, e há movimentos fortes no sentido de o substituir. Cada vez que ele dá sinal de vida, rebenta a polémica, como sucedeu na semana passada depois da entrevista com Manuela Moura Guedes na TVI. Ontem, foi a vez do Prós e Contras, na RTP, ter feito uma emissão sob o genérico “o que divide os advogados”. Carlos Abreu Amorim, no Blasfémias, acha que bastaram 40 minutos para perceber que o grande adversário de Marinho Pinto é mesmo o ex-bastonário Rogério Alves: “Com uma retórica firme, elegante, politicamente doseada, sem laivos de rancor nas suas acusações, distingue-se dos detractores habituais de Marinho Pinto por muitas léguas de inteligência e de talento verbal. Ele é o anti-Marinho Pinto, no sentido de se situar nos antípodas dos valores do actual bastonário”. Exceptuando este ponto, Abreu Amorim reconhece que “O resto esteve muito fraco. E a classe não saiu nada prestigiada”. Irónico, Paulo Ferreira no Câmara de Comuns prefere resumir o que viu nesta ideia: “Afinal um grupo de advogados pode imitar uma claque de futebol...temos os Super Maus, os Juve Bons e os No Job Boys!”.

Samuel de Paiva Pires, no blog Estado Sentido, defende o bastonário: “Goste-se ou não, Marinho Pinto é um homem que parece pautar-se pela procura pela verdade, da justiça e transparência, independentemente do estilo mais ou menos agressivo, consoante os gostos. Não posso, no entanto, deixar de me questionar se este tipo de discussão a que estamos a assistir neste momento é favorável ou prejudicial à democracia. A juntar à baixaria que é genericamente o debate político, com constantes lavagens de roupa suja, vêm agora também os advogados lavar a roupa suja. Não se augura nada de bom”.

Marinho Pinto tem tido, não apenas ontem, nem só no caso TVI, tem tido, dizia, o dom de excitar a classe dos advogados, para o bem e para o mal, mas também o comum dos mortais. Reparo que no Arrastão Daniel Oliveira já lhe chamou “o idiota útil”, por ter dito que o não voto “é uma arma contra mais do mesmo”. “De frete em frete, escreveu Daniel, Marinho Pinto lá vai mostrando como um populista pode ser muito útil ao poder”. Noutro blog, leio Nuno Dias da Silva elogiando o bastonário “que fala mais vezes verdade do que muitos pensam”, e que “vem berrando há muito, que «suas majestades» desçam do pedestal para onde subiram e comecem a explicar à populaça as incompreensíveis decisões que tomam. Felizmente, os juízes portugueses dormem todos de bem com a sua consciência. Valha isso”.

Ou seja, em meia dúzia de casos extremos deixo-vos esta ideia que o programa da RTP ontem à noite consolidou: populista ou corajoso, demagogo ou pragmático, como quer que se queira ver o bastonário Marinho Pinto, ele veio mexer nas águas paradas da advocacia e provocar o debate. O que daqui resulta, bom, só a classe pode decidir. Mas como a justiça mexe com toda a gente, convém estar atento – o que sair daquela Ordem no futuro dirá respeito a qualquer de nós.

publicado por PRD às 01:38
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PRD

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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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