Vamos então ao futebol, ou melhor, ao balanço da época, que terminou no fim-de-semana. Bem escreveu Elisabete Proença citada por José Nunes no blog Linha Avançada: «A festa do FC Porto é como a Páscoa. Acontece todos os anos, só não se sabe em que semana». No domingo foi a segunda volta da festa, e o percurso entre a Ribeira e a Avenida dos Aliados constituiu a chamada “Via Tetra”, que motivou o elogio de João Saraiva no blog Reflexão Portista: “É verdade que a varanda do Dragão é na nossa casa, e festejando ali estávamos a festejar em casa, em família, que é bonito, mas acho que é curto. As nossas vitórias mais que vitórias do Futebol Clube do Porto, são vitórias do Porto. E festejar na baixa é partilhar a vitória com a cidade. É extender a nossa matriz desportiva à nossa matriz social”.
Assim foi realmente. A norte festeja-se, em Lisboa nem por isso: “um frustrante terceiro lugar”, escreve D`Arcy no Tertúlia benfiquista: “Época terminada, silly season iniciada (...). Como de costume, enterramos as frustrações de uma época mal conseguida e, quer queiramos, quer não, deixamos que a esperança se renove a cada nova época”.
Os benfiquistas bem precisam de esperança, mas os do Sporting não lhes ficam atrás. E no blog leão da Estrela, o elogio que lá encontro não é à equipa e ao clube, mas a uma “Antiga glória”: “Manuel Fernandes conseguiu hoje levar a União de Leiria à I Liga Portuguesa. Manuel Fernandes pegou na equipa leiriense quando esta se encontrava junto da chamada "linha de água" (...) mas foi o treinador responsável por uma recuperação notável”.
As despromoções, descidas e subidas, ocupam parte generosa deste balanço de época. Tó, no blog Mesa Redonda, lamenta o caminho do Boavista: “Este exemplo devia-nos fazer pensar muito bem sobre o futebol que temos e se devemos ou não continuar com este modelo de dirigismo (...)! O Boavista era um clube que devia neste momento estar ao nível de um Braga, Guimarães, Nacional e é o que se vê!”. Outra descida que custa, a do Belenenses: Nuno Dias da Silva fala de “um ano de travessia no deserto” mas salvaguarda que pode haver “um malabarismo no defeso, decidido, bem à portuguesa, na secretaria, que recuperaria o clube de Belém para a Liga Sagres. O Estrela da Amadora pode ser um dos candidatos à extinção”. O benfiquista Miguel Teixeira, no Insurgente, é mais romântico: “Hoje, "vesti" a camisola dos azuis do Restelo, na expectativa de ver um clube que sempre apreciei tornear a espectável descida à II.ªLiga. (...) Volvidos onze anos, o Belenenses regressa a uma divisão secundária que não condiz com a (sua) história, pergaminhos e capacidades”. Na Dieta de Rochembach Daniel opta pela ironia: “A febre publicitária que rebaptizou os nossos campeonatos de futebol tem, pelo menos, uma vantagem: quando lemos que Belenenses e Trofense foram despromovidos da Liga Sagres para a Liga Vitalis, percebemos imediatamente que há ali um castigo violento, uma privação de festa, um ano inteiro a água”. E Henrique Raposo tem também muita graça quando escreve: “Para o ano, o campeonato terá dois bravos Leixões: o Leixões e o Olhanense”. Claro que este “para o ano” é rotundo exagero: o futebol volta daqui a uma dúzia de semanas...