Sexta-feira, 22 de Maio de 2009

Blog da Semana: Museu de Arte Popular

Comecemos por citar Manuel Falcão no blog Esquina do Rio:”O Museu de Arte Popular, em Belém, está encerrado há cerca de três anos e o seu espólio foi transportado em caixotes para o Museu de Etnologia, onde permanece fechado em caixotes e inacessível do público. O edifício original, o único que restou da Exposição do Mundo Português, está agora ameaçado por um projecto de adaptação que o ameaça tornar irreconhecível. (...) Apesar de tudo isto, na semana passada o Conselho de Ministros aprovou naquele local a instalação do Museu da Língua e o processo de concretização desta transformação foi entregue à Sociedade Frente do Tejo SA, uma entidade que parece estar destinada a ficar para a História como coveira de Lisboa”.

Ora, por causa de mais este atentado à nossa cidade, nasceu um blog justamente chamado Museu da Arte Popular. Fica em www.museuartepopular.blogspot.com  e teve sua primeira expressão pública no domingo passado, com uma iniciativa dos seus autores: “bordar um Lenço dos Namorados em versão gigante declarando a (...) estima por este museu que, mais uma vez, permanecerá fechado na data em que todos os outros comemoram o Dia Mundial dos Museus”.

Assim foi realmente: Rosa Pomar, Teresa Pinto e Catarina Portas são as mentoras deste blog, e deste projecto: “Desde 2006, diversas pessoas de vários quadrantes políticos ou até sem quadrante nenhum escreveram, em nome individual, sobre a decisão de encerramento do Museu. Mas, até hoje, nenhum partido se pronunciou sobre a questão. Eu, escreve Catarina Portas, pensava que os partidos também serviam para interrogar decisões políticas e arbitrárias deste tipo mas, pelos vistos, enganei-me. Até a Papa Maizena parece ter aos olhos partidários maior relevância que a destruição de um Museu único no panorama português”.

E depois Catarina Portas explica: “A verdade é que o MAP é um museu incómodo para muita gente, de esquerda e de direita. Mas faço minhas as palavras recentes e certeiras de Sara Figueiredo Costa no seu blogue (…): “Sabemos que a Exposição do Mundo Português se realizou durante a ditadura de Salazar, mas se isso é suficiente para se destruir um Museu que não se dedica à ditadura de Salazar e sim à produção, ao imaginário e às vivências de um país, então destruamos tudo o que se ergueu durante os anos negros do fascismo. Será isso solução para lidarmos com a nossa memória colectiva?”. 
Perante os factos, só há silêncio – ou pior, a ideia peregrina de um Museu da Língua. Catarina Portas remata: “Face ao silêncio dos partidos que nos representam e diante da ausência de justificações do Estado, em quem deveríamos confiar para preservar a nossa história e património, resta-nos a nós, cidadãos, agirmos”. Lá está então o blog para ajudar a manter acesa essa chama que pede que o Museu da Arte Popular não se perca nas pretensas modernidades destes dias. E é esta, também, a minha escolha da semana.

publicado por PRD às 17:27
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2 comentários:
De Fatima a 23 de Maio de 2009 às 23:18
O que eu gostava de ir a este museu em miúda!
Era tão bom que o pudesse visitar com os meus filhos...


De tramagal a 25 de Maio de 2009 às 23:32
Andamos nós a tentar um Museu do Tramagal…

... há-de vir o da língua para nos corrigir o lenço, mei bi come sá: bordar um lienzo d’ enamorados em version gigante declarando la estima por un museu que una vez mas cerrado se mantiene en la fecha en que los otros hacen la feria…

Previsão:
Em farra da apresentação do projecte, entre tenda e carpete, videoshou horaextre e motoriste, catering e merchandising, gastarão um euro e tal…


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