Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

Num mundo perfeito...

Há dias em que um só blog diz tudo. Hoje é um desses dias. A história é aquela que circula pelos media desde ontem: . Uma professora de História sa Escola Básica 2,3 Sá Couto, de Espinho, fez afirmações, insinuações, considerações de carácter sexual graves, muito graves, dentro de uma sala de aula perante crianças de 11 e 12 anos. Uma aluna gravou tudo, a pedido da mãe, a quem tinha feito queixa, e essas gravações tornaram-se publicas. É mais um daqueles inexplicáveis casos que deixam tudo em aberto sobre a resposta a esta pergunta: a quem confiamos os nossos filhos?

E a este respeito, socorro-me de Sílvia Oliveira no blog Fim de Partido. Escreve ela:

“Num mundo perfeito, só seria professor quem quisesse e sentisse uma enorme vocação. Num mundo mesmo perfeito, nenhum professor teria dúvidas no momento de escolher a sua profissão. Seria uma coisa espontânea, como dizem que é o chamamento divino. E num mundo ideal, ninguém teria que ser professor para escapar à crise e ao desemprego. Mas como o mundo não é nada disto, somos confrontados com episódios como o da professora de história da Escola Básica (...) de Espinho. Andou 12 anos na escola, mais quatro na faculdade, fez dois anos de estágios, dois anos de pós-graduação e mais um de especialização para nada. A gravação áudio de uma aula desta professora é só mais um motivo de inquietação. E as dúvidas voltam: como são hoje feitos os nossos professores? Fazem uma licenciatura e depois especializam-se. Aprendem a manusear a estrutura de um programa curricular, as teorias educacionais para tentar transmitir aos alunos da melhor forma possível o conhecimento, e estudam sociologia e psicologia da educação para se perceberem a si próprios e aos outros. E a seguir ainda fazem um estágio pelo qual são avaliados. Não parece ser fácil. Então porque é a professora da escola de Espinho entrou na sala de aulas e acabou por se revelar uma péssima professora? As razões podem ser muitas e vão desde a mais pura inaptidão até uma situação de absoluta perturbação psicológica. É verdade, estas coisas acontecem. Indesejavelmente e infelizmente porque os professores têm um papel importante na vida das crianças. É por isso que a formação, o controlo, a denúncia e a punição devem ser exemplares, neste e noutros casos. A sala de aulas é um espaço público mas fechado e as crianças, por mais insuportáveis e violentas que sejam, não são adultos. É também para isto que deve servir o processo de avaliação dos professores: para garantir que um professor nunca se transforma numa criança”.

O post de Sílvia Oliveira acaba por deixar o essencial sobre este caso. Mas, na verdade, ele acaba por fazer rebentar de novo a polémica que a pergunta de Diogo Belford Henriques no 31 da Armada claramente espelha: “Como é que alguém ainda acha que o melhor é serem as escolas a dar educação sexual?”

Eu preferia que esta pergunta não tivesse razão de ser. Infelizmente, desde ontem, ela faz mais sentido do que que eu desejava...

publicado por PRD às 19:25
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1 comentário:
De C. Medina Ribeiro a 22 de Maio de 2009 às 11:11
No meio de toda a cena ‘chunga’, sobressai uma pérola de analfabetismo: a frase que a TV legendou assim:

-É comigo que vais ter de te ver.

Já se percebe que a pessoa em causa desconhece o verbo “avir” (que se conjuga como “vir”):

-É comigo que vais ter de te avir.

Mas há que reconhecer que, em assuntos de sexualidade, o ‘avir’ poderia ser mal interpretado… No entanto, é aceitável, em alternativa, o verbo ‘haver’:

-É comigo que vais ter de te haver.


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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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