Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

Campanha cinzenta...

O Governo, e o primeiro-ministro, definitivamente, não têm descanso: O procurador-geral da República converteu em processo disciplinar o inquérito sobre as pressões aos magistrados que investigam o caso Freeport, que dá razão a Daniel Oliveira no Arrastão: “A não ser que o Procurador Geral da República esteja louco e ponha processos disciplinares por coisa nenhuma, a campanha negra ficou, para já, cinzenta. Inventado pelos jornalistas não terá sido”.

No 31 da Armada, Nuno Gouveia deixa duas perguntas no ar: “Será que desta vez vai haver consequências políticas deste caso? Ou os envolvidos vão continuar a assobiar para o ar e berrar contra as forças ocultas, os meios de comunicação social e a oposição?”. No Direito de Opinião, Pedro Correia e uma imagem: “A verdade é que o caso Freeport se vai adensando, dia a dia, passo a passo. Como uma teia laboriosamente tecida pela aranha sábia que aguarda pacientemente a mosca incauta”. Pedro também deixa duvidas a pairar: “Falta saber se o inquérito terminará em tempo útil, se apurará toda a verdade e se permitirá ao procurador-geral retirar todas as consequências que se impõem. Falta saber se o simples facto de estar a ser alvo deste processo disciplinar não deverá inviabilizar a permanência de Lopes da Mota à frente do Eurojust. E falta determinar também as responsabilidades políticas do ministro da Justiça, que sempre garantiu não ter existido qualquer pressão e parece estar cada vez mais a ser desmentido pelos acontecimentos”.

No Cachimbo de Magritte, Alexandre Homem Cristo confessa a sua surpresa com a atitude da Procuradoria porque, escreve, “como a maioria dos portugueses, sei e pressinto que estes ‘casos’ caem normalmente em saco roto, e progressivamente no esquecimento público. Tornam-se anecdotes, ‘pequenas histórias’. Não é por acaso que o nosso país é comummente apresentado como tendo um poder judicial fraco, ineficaz e, pior ainda, sujeito a pressões externas”.

Desta vez, pelos vistos, assim não é, e Jorge Ferreira, no Tomar Partido, pede “Que este processo disciplinar não nos distraia do essencial! Se eu fosse Lopes da Mota arrolava José Sócrates como testemunha”.

Paulo Pinto Mascarenhas, no ABC do PPM, acha “insustentável a posição do ministro Alberto Costa”, a explica: “Podem todos continuar a disfarçar e a assobiar para o alto (...), mas o caso agora não é psicoamoroso mas político”.

Bom talvez agora Fernanda Câncio saiba responder à pergunta que ela própria deixou no blog Jugular há pouco mais de um mês: “O que é ao certo uma pressão? Como se reconhece? No contexto político-mediático português, a palavra tem vindo a revelar-se deslumbrantemente polissémica”, disse a jornalista. Pois bem: desde ontem, a palavra pressão tornou-se também claramente reconhecível. O futuro dirá até onde ela vai, e onde ela cai.

publicado por PRD às 00:20
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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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