Terça-feira, 5 de Maio de 2009

Na morte de Vasco Granja

O mundo dos blogues também tem um lado geracional – por isso, não ficou indiferente à morte de Vasco Granja, divulgador de banda desenhada e do cinema de animação, uma das figuras que marcou a televisão portuguesa nos anos 70 com os seus programas onde mostrou as mais obscuras figuras do desenho animado do leste mas também, entre outros personagens famosos, a clássica Pantera cor-de-rosa. Armando Sousa, no blog A Fábrica diz que Granja “marcou profundamente a minha geração; foi ele que me inculcou, a mim e a muitos milhares de portugueses, o "bichinho" da banda desenhada e dos desenhos animados”. É um facto, e é por isso que o seu nome hoje volta a ser falado.

No Câmara de Comuns, Paulo Ferreira escreve: “É impossível, para quem cresceu a ver a RTP nos anos 70 e 80, não reconhecer a sua cara e a sua voz, é impossível não gostar e não sentir saudades dele...que estranho! Poucas figuras mediáticas nacionais atingem um estatuto de verdadeira "instituição", Vasco Granja era uma "instituição" de pleno mérito. Alguém imagina hoje em dia um programa como o que ele apresentou mais de 1000 vezes?”

De facto, estamos perante um ícone que junta televisão e banda desenhada. No Sound & Vision, João Lopes acha que Vasco Granja, no seu Cinema de Animação, “cumpriu uma vocação essencial: a de dar a ver os mais variados produtos da produção de desenhos animados de todos os quadrantes e todos os estilos — durante 16 anos (...). Militante do Partido Comunista Português, Vasco Granja sempre acreditou que os filmes que dava a conhecer (...) podiam constituir uma fonte de conhecimento e um elo afectivo entre os seus espectadores. O seu trabalho teve, além do mais, um significativo reconhecimento internacional, tendo participado, por exemplo, em júris de certames internacionais”.

Outra recordação e memória, a de Hélder no blog Insurgente: “Não é só um pedaço da minha infância, são os outros mundos possíveis que o Vasco Granja nos metia casa adentro quando a TV era a preto e branco, só havia dois canais e, no caso da RTP2, só funcionava umas seis horas por dia”. Gabriel Silva, no Blasfémias, completa: “foi um grande divulgador e conhecedor de banda desenhada, em especial na actividade desenvolvida na revista Tintin, a qual marcou toda uma geração”. Chama-lhe “um mestre de comunicação visual” – e tem, razão. Vasco Granja pertence a um tempo em que a comunicação era exactamente o que uma pessoa podia ser – ou seja, sem disfarces, sem máscaras, apenas a imagem e o seu autor.

Talvez por isso, no momento da sua morte, as memórias atravessem gerações, quadrantes ideológicos, estéticos, culturais. O tempo dele é outro – mas o nosso tempo parece sentir a falta daquele tempo...

publicado por PRD às 00:14
link do post | comentar

PRD

Pesquisar blog

 
Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

Textos recentes

...

Blog da Semana: As Penas ...

Outra vez o casamento ent...

Em dia

Lhasa de Sela

O ritual de Cavaco

2010

Blog do Ano 2009: O Alfai...

O ano 2009 - II

O ano 2009 - I

Arquivos

Outubro 2011

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

favorito

Leituras de sábado

Declaração de voto

Seis anos já cá cantam.

Na melhor revolução cai a...

Subscrever feeds