Quinta-feira, 23 de Abril de 2009

Mais anos de escola

É seguramente uma boa notícia, mas em ano de eleições só lhe conseguem ver segundas intenções: o Governo anunciou ontem o aumento da escolaridade obrigatória para os 12 anos. Podemos gostar ou não gostar da politica de educação, mas é indiscutivelmente uma boa noticia. Jorge Ferreira, no Tomar Partido, chama-lhe um coelho saído da cartola e não concorda: “poderia ser uma boa medida se o sistema de ensino fosse outro, isto é, se ensinasse. Mas neste estado de coisas, trata-se apenas de um prolongamento da agonia educativa dos 9 anos anteriores. E tem uma enorme vantagem, oportunista, aliás, nestes tempos de crise. Atrasa a entrada de mais uns milhares no mercado de emprego durante três anos”.

No 31 da Armada, Carlos Nunes Lopes diz que “assim, tal como foi anunciado, de forma isolada, é um erro clamoroso que trará prejuízo ao nosso ensino. A Lei de Bases da Educação tem de ser revista de forma aprofundada, onde a escolaridade obrigatória de 12 anos esteja integrada de forma coerente e harmoniosa. Anunciar 12 anos de escolaridade obrigatória para 'amanhä' é uma irresponsabilidade”. Mas há quem discorde por motivos no minimo originais: António de Almeida, no Direito de Opinião, depois de reconhecer que também o PSD defende esta medida, escreve o seguinte: “A liberdade pressupõe o respeito por alunos que legitimamente não queiram estudar, mas o Estado teima em decidir o que é melhor para nós. Infelizmente não faz o que deveria, aumentar o grau de exigência necessário para concluir os diferentes ciclos com aproveitamento”. Já Tiago Moreira Ramalho, no corta-fitas, acha a medida incoerente porque, escreve, “No nosso país, a partir dos 16 anos é possível trabalhar e ser responsabilizado pelos actos cometidos. Ora, o grau de responsabilização que a sociedade dá a um jovem de 16 anos é incompatível com este paternalismo que exige que esse mesmo jovem tenha de estudar”

No blog O Insurgente, a critica de Miguel vai noutro sentido: “Num governo que governa para as estatisticas e que acha que cosegue mudar comportamentos por decreto, é perfeitamente natural que ache que a extensão da escolaridade obrigatória para 12 anos nos vai tornar mais “educados” e “competitivos”. As escolas e o sistema de ensino vão ser os mesmos (...). Se já é difícil garantir a disciplina de criancinhas mais novas, imaginem o que vai acontecer com criancinhas maiores (com mania que já são adultos) e que não desejam e/ou têm vocação para o estudo?”

Curiosamente, os blogues ligados à educação, sempre tão reactivos em matérias desta natureza, e sempre prontos a disparar contra o Governo, estão prudentemente em silêncio. Por coincidência ou não, hoje João Carvalho, no Delito de Opinião, assina uma espécie de estado geral da nação educativa e este parágrafo diz muito do que temos vivido neste domínio: “Em 35 anos de regime, Portugal teve 28 ministros da Educação, dos quais só três levaram uma legislatura do princípio ao fim: Marçal Grilo, Roberto Carneiro e (por antecipação) Maria de Lurdes Rodrigues. Esta instabilidade, como é evidente, espelha bem o insucesso da Educação”. É isso mesmo 35 anos, 28 ministros. Estamos conversados.

publicado por PRD às 00:06
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1 comentário:
De Zé da Burra o Alentejano a 29 de Abril de 2009 às 15:39
Será que somos todos iguais? nem as máquinas que saem das fábricas são todas iguais: algumas saem da linha de fabrico com defeito. senão para que serve o controlo de qualidade?

As reprovações nas escolas públicas vão ser gradualmente banidas e a tendência será a de que ao fim de 12 anos de escola todos os alunos possam ter o 12.º ano de escolaridade, fazendo subir com isso os índices de escolarização dos portugueses. O nível de conhecimentos adquiridos será inevitavelmente muito baixo, mas o que importa são as ESTATÍSTICAS, e assim Portugal poderá figurar "orgulhosamente" na lista de países com maior número de anos de escolaridade.

O 12.º ano vai ser em breve a escolaridade mínima obrigatória. Embora os jovens passem a sair do sistema de ensino com poucos conhecimentos académicos, pelo menos, enquanto por lá andam também não figuram nas estatísticas dos desempregados, o que também é bom para as tais ESTATÍSTICAS.

Assim, o facto de virem a exibir o certificado de habilitações do 12.º ano deixará em breve de dar qualquer indicação às entidades empregadoras relativamente às reais qualificações dos jovens que então vão sair das escolas e, em consequência, terão que ser as entidades empregadoras a testar os conhecimentos dos candidatos aos empregos que oferecerem. Não começaram já a fazê-lo há algum tempo?

Os alunos que frequentarem as escolas públicas poucas possibilidades terão de atingir os necessários conhecimentos para prosseguirem os estudos. Assim, os pais que desejem para os seus filhos um curso superior terão que começar a consciencializar-se desde já que a escola pública não será o caminho aconselhável para a preparação dos seus filhos, mesmo que sejam crianças inteligentes e interessadas. O ambiente não será o melhor para que tenham sucesso por vários motivos:

1.º) na mesma sala coexistirão muitos alunos com fracos conhecimentos, porque não havendo reprovações, não haverá necessidade de empenho, nem nos estudos, nem na assiduidade às aulas;
2.º) com o fim do ensino especial terão por colegas jovens com deficiências várias: auditivas, de comunicação e até psíquicas;
3.º) nem todos os jovens são iguais: há génios, mais ou menos inteligentes e até jovens com capacidade de aprendizagem muito limitada. Mas a escolaridade obrigatória é para ser conseguida por todos eles. Quem não a conseguir nunca será um verdadeiro cidadão e poderá nem ter acesso a tirar uma simples carta de condução para ser um mero distribuidor de bilhas de gás.
4.º) porque todos os jovens são obrigados a frequentar a escola enquanto menores, mesmo que por ela não revelem qualquer interesse, terão por colegas outros jovens que apenas por lá andam porque o sistema a isso os obriga. Alguns deles utilizam a escola, os colegas e até os professores para se divertirem, gozando-os e boicotando as aulas.

Enfim, o Ensino vai de mal a pior!




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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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