Terça-feira, 14 de Abril de 2009

A Tailândia em combustão

Vale a pena começar por contar esta história rápida: há dois anos, mais ou menos, convidei para vir aqui à Antena 1 conversar comigo, sobre blogues e sobre a vida, Manuel Castelo Branco, autor de um dos blogues que sigo com regularidade, o Combustões. Cidadão do mundo, ele escreve sobre todo o tipo de temas, o que fez com que não me apercebesse do óbvio. Mas o óbvio veio na resposta ao meu convite: que sim, que tinha muito gosto em vir à Antena, mas tinha um pequenino problma. É que vivia na Tailândia, em Banguecoque...

Pois é evidente que me lembrei logo de Manuel Castelo Branco nestes dias de brasa que se têm vivo naquelas paragens. E o que vos posso dizer é que temos ali, no blog Combustões, um verdadeiro diário da crise, bem escrito, explicado e mesmo fotografado.

Num dos primeiros textos sobre a crise, esclareceu o seu ponto: “sou pela monarquia, pela aristocracia, pelo exército, pela Tailândia culta e preparada para dirigir um Estado moderno. Sou, sobretudo, por este povo que amo como ao meu e que atravessa hoje a linha de fogo que separa a dignidade do abastardamento. Se os tais vermelhos plutocráticos vencessem, dentro de dez anos a Tailândia seria apenas mais um entre os países subdesenvolvidos da Ásia que foi primeiro colonizada e depois comunizada”.

Desde aí, tem feito reportagem contado histórias, fotografado. Escrevia há dois dias: “São quatro e meia da manhã. Parto daqui a minutos para a área da Casa do Governo cercada pelos vermelhos. Não posso deixar de ver o que se passa e espero poder tirar fotos para esclarecimento dos leitores. Desejem-me sorte”.

Ontem escrevia; “Nunca me fiei nos noticiários, como também nunca fui entusiasta dos mentideros e rumores. Como dizia Frei Amador Arrais, se "Deus nos deu dois ouvidos e uma boca, tal implica que devemos falar duas vezes menos do que ouvimos". Acrescentar-lhe-ia: se "Deus nos deu dois olhos e uma boca, tal exige-nos ver antes de falar". Se os acontecimentos ocorrem em baixo da nossa janela, por que raio os seguimos pela rádio ou entregamos a nossa inteligência à comunicação social ? Ontem deitei-me e não consegui dormir. Senti, como em finais de 2008, quando os amarelos Tradicionalistas ocuparam a Casa do Governo, que tinha de lá ir ver. Afinal, estando a estudar na Tailândia a sua história e cultura, tinha história a acontecer a meia dúzia de quilómetros. Nunca me desculparia se um dia assomasse, implacável e fria, a razão por não haver ido: o medo, que se pinta e esconde amiúde com a dita prudência e, tantas vezes, se arma de argumentos para se justificar. Montei uma motorizada e lá fui pelas longas, silenciosas e escuras avenidas que levam ao complexo de edifícios governamentais”.

O resto, desafio os ouvintes a irem ler ao blog Combustões – ali está o jornalismo do futuro, feito por quem tem dois olhos e vê, e sabe usar a cabeça para mais do que segurar um chapéu. Eu é que tiro o chapéu ao Manuel Castelo Branco, que dá abadas diárias às matérias dos jornais....

 

publicado por PRD às 23:52
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2 comentários:
De Nuno Castelo-Branco a 16 de Abril de 2009 às 23:29
... e ligava-me todos os dias, pondo-me ao corrente do que por lá se passava. Acredite, Pedro, aquele país merece melhor sorte que um futuro ao estilo filipino ou indonésio. Para não citar outros vizinhos, como a Birmânia, por exemplo.
Concluindo, o Miguel teve razão em tudo aquilo que escreveu. "Bad news" para os Thaksins/Berlusconis/Balsemões/Murdochs. Por esta vez, não passaram!


De Afonso Miguel a 21 de Abril de 2009 às 22:12
O Miguel é, de facto, um dos melhores bloggers nacionais!


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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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