Segunda-feira, 6 de Abril de 2009

Cenário dantesco...

Se eu tivesse andado por fora uns dias e agora chegasse a Portugal e andasse pelo mundo dos blogues a actualizar-me, deparava com um cenário dantesco: José Sócrates não teria condições para continuar primeiro-ministro, os magistrados portugueses vivem entre a espada e a parede e acabou a liberdade de informação. Uma tragédia.

Nesse sentido, gostei de ler o post de João Villalobos no Corta-Fitas que, de alguma forma, resume o momento: “Tudo ferve. No Facebook cria-se um grupo de apoio ao João Miguel Tavares e ainda outro apelando à resignação do PM do seu cargo. No twitter, de segundo em segundo a timeline vai-se preenchendo a um ritmo frenético de contestação, acumulando comentários sarcásticos sobre o Freeport, os processos colocados e a colocar por Proença de Carvalho ou as amplitudes do verbo «pressionar». É uma autêntica tempestade de areia digital a qual torna invisível, por entre o vento e a fúria, o que solidamente sustenta aquilo que efectivamente se vier a passar.

Enquanto isso, lá fora no mundo 1.0, aqueles que antecipam o novo ciclo político disseminam um discurso de requiem para José Sócrates e asseguram os nomes de Costa, de Vitorino ou de António José Seguro como alternativas já listadas. Para esses, o socratismo descansa já em paz e as exéquias estão feitas, aguardando apenas o momento formal da despedida.

Eu, no entanto, revi há pouco o Kill Bill  de Tarantino. E tenho ainda fresca na memória a cena em que Uma Thurman, encerrada dentro de um caixão a sete palmos de terra da superfície, se liberta depois de muitos socos pacientes e certeiros na madeira dura. Como ela, Sócrates poderá ter recursos que aos muito bem informados escapam. Tal como ele lhes pode escapar. Opto por esperar, até ver onde chegam os seus poderes de Kung-Fu. Os dele e os dos seus mestres”.

É isto, na verdade, que se passa: um agitado ambiente algures entre a conspiração, a adivinhação, e a ficção cientifica. Claro que há verdades no meio da confusão, mas já ninguém sabe onde andam, como o episódio das pressões sobre os magistrados nem atesta, ou como esse outro caso do jornalista João Miguel Tavares, que foi processado pelo primeiro-ministro na sequência de um artigo que corre a blogoesfera à velocidade da luz. O corporativismo funciona, claro, e correm pela rede mensagens solidárias. Percebe-se o que move o colunista da moda e o primeiro-ministro permanentemente indignado: cada um defende a sua dama.

À velocidade da luz circula também um dos artigos do fim-de-semana de Vasco Pulido Valente no jornal Público, e esse sim merece atenção, que é sério e sem direito à difamação. Escreveu Vasco: "O português parte do princípio que os políticos se 'enchem' (os que são espertos, pelo menos). Não acredita na honestidade do Estado ou na eficácia da lei. Acredita no que recebe e no que lhe tiram; e não se importava de arranjar um lugar à mesa".

Lá está: sem direito a processo, e a dar que pensar. Artigos assim, vale a pena multiplicar pelos blogues...

 

publicado por PRD às 00:36
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PRD

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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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