Quarta-feira, 1 de Abril de 2009

Pressionar

“Junte numa panela, água, vários nomes aleatórios, grandes quantidades de “diz que disse”, misture bem em lume “médias”. Aos poucos adicione falta de pudor, idiotices e falta de carácter em boa quantidade. Não prove e deite fora. Cozinhou um belíssimo “Pressionador”” – assim fala Daniel Santos sobre a palavra do dia: a pressão. Fala-se de pressão por causa do caso Freeport, houve procuradores que investigam o caso e se queixaram, e o Procurador Geral Pinto Monteiro fez um comunicado a dizer que ninguém se pode deixar pressionar...

Os blogues, esses, pressionam que se fartam: Carlos Abreu Amorim, no Blasfémias, pressiona quando escreve “quer o Procurador queira quer não, toda esta turbulência já abala os alicerces do regime, quer no plano político quer no que toca ao sistema de Justiça”.

Pressiona Marta Rebelo, no Babel, quando escreve no Pais das incompletas maravilhas: “pessoas que exercem cargos relevantes para a paz da comunidade e construção do tecido social, não devem contribuir para a sua desconstrução. Devem ser livres e falar. Mas ponderar, também. Ou provar, em alternativa. Pronto, ao menos completar as frases”.

Pressiona Coutinho Ribeiro no Delito de Opinião quando manifesta desconfiança e nota que “vindo as divergências sobre a matéria do mesmo corpo de magistrados, alguma coisa me diz que isto vai acabar mal”.

Também pressiona Carlos Nunes Lopes, no 31 da Armada, mesmo dizendo “Ai de quem se deixar pressionar por alguém. Ai de quem disser a alguém que está a ser pressionado. Ai de quem se deixar pressionar por aqueles que dizem que vós estais a ser pressionados”. Ou Nuno Goveia, no mesmo blog, quando se interroga: “Dizer que esta investigação apenas existe por força das intervenções de forças ocultas, que manipularam os factos de forma a conduzir a investigação num determinado sentido, não será uma pressão sobre quem investiga?”.

Outra forma de pressão, a de Daniel Oliveira no Arrastão em quatro linhas apenas: “Olhando para a forma como reage a cada notícia desagradável e as suaspeitas que lança sobre todos os órgãos de informação que não lhe prestam vassalagem, alguém acredita que o governo seria capaz de qualquer tipo de pressão sobre os investigadores do caso Freeport?”

Pressionar, pressionar, pressionar. De nada serve a memória do blog Catarse, que junta para cima de uma dezena de depoimentos de magistrados dados em Fevereiro ao Procurador. Por exemplo, 

Hortênsia Calçada (DIAP do Porto): “Tenho a honra de informar que nunca me foi apresentada qualquer queixa relativamente a pressões ou intimidações”. Ou

Alcides Rodrigues (DIAP de Évora): “Nenhum magistrado do Ministério Público me deu conhecimento de alguma intromissão ou pressão sobre a sua actividade”.

E como estes, muito mais. Mas isso agora não interessa nada: João Gonçalves concorda comigo e diz que “as pressões estão, pois, na moda”. Vivemos sob o regime da pressão. Um dia destes, entramos no domínio da pressão de ar...

 

publicado por PRD às 18:38
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7 comentários:
De aduana a 4 de Abril de 2009 às 08:16
Artículo con unas dimensiones aproximadas de 4 m por 30 m, elaborado con hilados de materia vegetal (algas marinas). La trama está constituida por dos tiras de materia vegetal (algas marinas) torcidas y entrelazadas, de un tipo utilizado, principalmente, para rellenar cojines. La urdimbre está constituida por un único hilado retorcido de fibras textiles naturales de materia vegetal (fibras de algas marinas) (el hilado presenta un título superior a 20000 decitex). El artículo incorpora una base de caucho celular.


De Luis Melo a 5 de Abril de 2009 às 19:47
Sócrates prometeu e cumpriu

É verdade, para espanto de muitos... Sócrates tinha ameaçado com processos os jornalistas que escreveram sobre o Freeport, e cumpriu. Depois das pressões ao MP aqui está a pressão à imprensa.

João Miguel Tavares, colunista do Diário de Notícias, foi processado pelo primeiro-ministro por ter escrito: "Ver José Sócrates apelar à moral na política é tão convincente quanto a defesa da monogamia por parte de Cicciolina".

João Miguel Tavares respondeu com nível: "Agradeço a atenção que o senhor primeiro-ministro me dedicou de que não me acho merecedor".


De Luis Melo a 5 de Abril de 2009 às 19:47
Pressões? Onde? Não vejo nada.

"Isto (caso Freeport) vai ser outro processo Casa Pia para o Ministério Público"

"vocês estão sozinhos nisto e lixados"

"O que eu sei é que o primeiro-ministro quer isto (caso Freeport) esclarecido rapidamente."

"Sócrates pediu a Costa para vos falar"


De Victor Simões a 8 de Abril de 2009 às 00:19
Gostei muito deste vosso blogue, parabéns " Janela Indiscreta". Continuem com o vosso excelente trabalho.

Boa Páscoa


De Victor Simões a 8 de Abril de 2009 às 17:50
Carissimos, serve o presente para informar que o vosso blogue se encontra nomeado esta semana, na Voz do Povo, com vista à atribuição do Destaque mensal atribuido pelo nosso blogue.

Cumprimentos


De Pet Cool a 9 de Abril de 2009 às 21:34
Convido toda a gente a visitarem o Blog Pet Cool
http://petcoo.blog.pt
E lembre-se...não abandone os animais, porque eles nunca lhe fariam o mesmo.
Obrigado


De Pet Cool a 9 de Abril de 2009 às 21:35
Convido toda a gente a visitarem o Blog Pet Cool
http://petcool.blog.pt
E lembre-se...não abandone os animais, porque eles nunca lhe fariam o mesmo.
Obrigado


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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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