Terça-feira, 31 de Março de 2009

Palpitar

Se eu tivesse de escolher o verbo preferido do mundo dos blogues, nem duvidava: era palpitar. Mandar palpites sobre quem manda palpites é o activo dos blogues, e tem tanto mais graça e sentido quanto mais assertivo se consegue ser. Exemplo 1, João Gonçalves palpitando sobre palpites diversos: “O dr. Portas pretende que a justiça vá até "ao fundo" no "caso Freeport". Jerónimo quer que a verdade "seja apurada". A dra. Manuela fala em "sucessão" de factos que torna "premente" o esclarecimento do tema. E Louçã também deve ter dito qualquer coisa. Isto significa que, à medida que o ano eleitoral avança, o "caso Freeport" também avança pelo ano eleitoral adentro na proporção inversa à velocidade com que avança na justiça. Não me parece avisado. O que a oposição deve fazer é julgar politicamente o governo e o seu chefe. (...) Se no "caso Freeport" Sócrates é inocente até prova em contrário, já no seu desempenho como primeiro-ministro há muito que o deixou de ser. Ao centralizar na sua extraordinária pessoa o partido, o governo e a propaganda, Sócrates aceitou beber o cálice até ao fim. É isso que a oposição lhe tem de exigir perante um país mais devastado, mais deprimido e mais pobre do que há quatro anos. Quem bebe pelo gargalo compra a garrafa”.

Exemplo 2, encontro em Henrique Raposo no novo Clube das Republicas Mortas, exactamente no mesmo registo de João Gonçalves: “Toda a gente tem soluções estapafúrdias para o país. O BE quer sair da NATO. O PCP quer sair do mundo, à moda de Salazar. O pai do SNS quer impor um imposto, mais um, só para o SNS (...). Eu também quero brincar a este jogo. Para começar, acho que devemos vender Portugal aos EUA. Portugal passaria a ser assim o 51.º Estado da União; a nossa capital passaria a ser a Base das Lajes. Depois, poderíamos vender a Madeira aos refugiados palestinianos. (...) Podemos fazer uns trocos vendendo o Alentejo e o Algarve a Bin Laden. E, já agora, antes de vender isto tudo, poderíamos contratar os Taliban para remodelar Lisboa. Tal como destruíram aqueles budas gigantes, os Taliban poderiam destruir o Cristo-Rei, a coisa mais feia deste hemisfério”.

Repare-se como o registo é o mesmo: palpitar sobre palpites, humor e ironia, algum cinismo também, textos curtos e ideias fortes. É este o segredo para se existir no mundo ruidoso da blogoesfera. Mais um exemplo, este muito dirigido, de Helena Matos no Blasfémias: “O ex-bastonário da Ordem dos Advogados perora na TVI sobre investigações e provas. (...) Há anos que esta loucura dura: uns clones do dr. Rogério Alves criaram um enredo legal que apenas serve as suas contas bancárias e dá um substancial jeito a quem tem poder e meios para os contratar.  A clivagem entre os portugueses e a sua justiça é total. No fim disto somos tratados como parvos porque não percebemos a subtileza da coisa”.

Os tempos estão bons para o exercício e vão melhorar: em ano de eleições não vão faltar palpites sobre palpites sobre palpites. E a Janela sempre aberta...

publicado por PRD às 01:37
link do post
De Palpitar a 21 de Abril de 2009 às 22:37
Olha,
parece que escolhi bem o nome do meu blogue.

Um abraço. :-)


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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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